segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Câmeras PINHOLES




Sem filmes ou chips eletrônicos, muito menos botões ou filtros, as câmeras pinholes produzem imagens reais de uma forma simples, através de um conceito básico e muito antigo de gerar fotografias: a câmara escura. De fácil construção, esta câmera pode ser feita com latas de alumínio vedadas, em que um furo é feito de um lado e do outro é colocada uma folha de papel fotográfico. A luz solar entra por este pequeno orifício e, ao reagir quimicamente com componentes do papel fotográfico, a imagem é invertida e é projetada no papel. O único furo por onde entra toda a luz desempenha a mesma função da lente numa máquina convencional. Desta forma, quanto menor ele for melhor para garantir a nitidez e o foco da imagem, motivo este também pelo qual se faz necessário um maior tempo de exposição à luz solar – de alguns segundos até muitos minutos. Este tipo de fotografia possibilitada por um furo numa caixa preta é chamada de Fotografia Estenopeica. O estudante e fotógrafo William Duarte mantêm em Recife o projeto “Lata Mágica Recife”, em que ele e mais uma amiga registram a cidade através de uma câmera pinhole feita com lata de leite em pó. Ele afirma que as câmeras digitais reduziram a participação do fotógrafo a um mero aperto de botão, mas que as pinhole permitem que o homem faça valer o seu olhar sobre a imagem: “Fotografar com uma lata na era digital parece ser um retrocesso, mas é na busca da raiz que a fotografia artesanal mostra o seu diferencial”.
Foto: William Duarte

Apesar de parecer extremamente artesanal, a câmera pinhole já foi utilizada em naves espaciais para estudar a radiação solar e, quando usadas com CCDs,
dispositivo de carga acoplado, são utilizadas em serviço de vigilância devido a seu tamanho pequeno.
Na cidade de Bultrins, em 2010 em Olinda, professores usaram a Fotografia Estenopeica para incentivar crianças e adolescentes de uma comunidade carente a registrar a rotina do lugar em que vivem. Sem tecnologia avançada e com criatividade, os aprendizes de fotógrafos puderam expor seus trabalhos num centro cultural local.

http://www.youtube.com/watch?v=Scr6Zcc3ouo


FONTES:
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http://www.aurelionespoli.com.br/page1001.aspx
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http://www.fotodicas.com/fotografia/fotografia_pinhole.html
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http://www.latamagica.blogspot.com

sábado, 17 de setembro de 2011

O impacto fotográfico do iPhone

O celular da Apple tem revolucionado o mundo da fotografia digital e dos carregamentos móveis (fotos postadas em redes sociais com o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como os smartphones), através da sua câmera fotográfica e dos seus aplicativos, que permitem a manipulação e postagem das fotos na internet. O caso do iPhone é curioso, porque sua câmera, considerada de poucos recursos por muitos fotógrafos é capaz de produzir boas imagens, como afirma Claudio Versiani, fotógrafo, na matéria da Digital Photografer Brasil (DPBR) da edição 10. Assim, esse celular é usado para clicar cenas do dia a dia por amadores e fotógrafos profissionais.



iPhone ao invés de máquinas profissionais

A adesão dos fotógrafos profissionais a esse gadget é justificada pela praticidade de uma câmera portátil. Por estar em um celular, a discrição é potencializada, ou seja, o fotógrafo pode tirar uma foto enquanto finge estar falando ao telefone com alguém, ou escrevendo uma mensagem. A velocidade em criar, processar e colocar as imagens na rede é outro atrativo, como o celular tem acesso à internet não é necessário descarregar a imagem em um computador para disponibilizá-la virtualmente.

Essa facilidade em produzir imagens é um grande ganho para o fotojornalismo, em especial, para o jornalismo cidadão ou jornalismo colaborativo, que é a ideia de produção de conteúdo noticioso por pessoas sem formação jornalística. Neste sentido, um bom exemplo é a foto de um avião que caiu no Rio Hudson, em Nova York, no ano de 2009. A foto foi feita por Janis Krums, com o seu iPhone, e divulgada no seu Twitter, sendo a primeira imagem desse acidente.


Foto: Janis Krums

Em relação aos profissionais, um grande impacto para a fotografia com o iPhone aconteceu esse ano no concurso de fotojornalismo Pictures of the Year International, quando Damon Winter, do New York Times, foi premiado com o 3º lugar, por uma fotografia de soldados no Afeganistão, feita com o seu iPhone e com o aplicativo Hipstamatic.


Foto: Damon Winter

Este evento mostra que já existe uma grande adesão dos fotógrafos profissionais a esse recurso tecnológico, o que é evidenciado pelo projeto uaiPhone, fundado em 2010, pelo fotojornalista Bruno Figueiredo, e que conta com a colaboração de 27 fotógrafos profissionais em cinco países, como Espanha, Inglaterra e Irlanda.

Foto: Bruno Figueiredo, em Londres, postada no uaiPhone


Foto: Netum Lima, postada no uaiPhone


Foto: Emmanuel Pinheiro, postada no uaiPhone

Aplicativos e fotos online

O grande impacto ocasionado pelo enorme número de imagens produzidas com o iPhone não se deve unicamente a esse dispositivo. Redes sociais como o Twitter e o Facebook que facilitaram o compartilhamento de imagens em tempo real e os aplicativos que dão aparência profissional as fotos capturadas são, na verdade, os principais responsáveis por esse impacto. Ou seja, essa mudança na fotografia se deve ao processamento e a técnica de distribuição online das imagens que operam nesse dispositivo.

Sobre os aplicativos, o Old Booth e o Instagram receberam as maiores notas na avaliação da edição 10, da Digital Photografer Brasil. O primeiro, que custa $1,99, cria retratos antigos com uma aparência convincente e aplica um efeito P&B, com estilo “vintage”, as fotos. Já o Instagram é gratuito, e combina programa de edição com rede social, assim é possível aplicar filtros fotográficos e postar as imagens onde desejar, o que tornou esse aplicativo muito popular.


OldBooth


Instagram

São esses aplicativos que fazem com que muitas pessoas dispensem suas máquinas compactas e, aumentam o interesse de outros em guardarem suas câmeras profissionais. Fotografar, editar a imagem e compartilhá-la em menos de um minuto é outro fator impulsionante no uso do iPhone. Além disso, outros elementos considerados são, aos amadores, ter fotos com aspecto profissional, e aos profissionais, o desafio de exercitar a criatividade com um equipamento que não dispõe de tantos recursos técnicos, podendo concentrar-se mais na composição das imagens.


Novidade

Para a próxima versão do Iphone, com o sistema operacional iOS 5, o recurso iCloud é o mais aguardado, ele possibilita o armazenamento de diversos conteúdos, inclusive fotos, em uma área comum na internet. O que permite aos usuários que utilizem outros gadgets da Apple, como o IPAD ou MacBook, intercambiarem suas fotografias onde quer que estejam.


Mais

Imagens feitas com Instagram:

Danilo Siqueira membro do conselho editorial da DPBR

Clicio membro do conselho editorial da DPBR


Fontes: Revista Digital Photografer Brasil, edição 10

domingo, 4 de setembro de 2011

Manipulação de imagem no fotojornalismo

A busca pela verdade é um tema que está sempre presente quando se fala em jornalismo, e isso é ainda mais latente quando o assunto é o fotojornalismo, já que no imaginário coletivo a fotografia é considerada um recorte, um pedaço do real. A fotografia surge nos diários como ferramenta para dar credibilidade à história contada. Entretanto, com a criação de programas de edição e tratamento de imagens cada vez mais sofisticados, essa confiabilidade tem sido posta em dúvida.

O uso do Photoshop e outros programas de edição acabou originando um debate que envolve questões éticas e também estéticas. Segundo Carol Lopes, pós produtora do coletivo Cia de Foto, o seu trabalho de tratamento, e dos meios de comunicação em geral, é semelhante a dos laboratoristas antes dessa era digital, já que, segundo ela, nunca existiu foto não manipulada depois do clique. Contudo, hoje há a possibilidade de se construir a fotografia nos programas de edição, o que é considerado antiético no meio jornalístico. Após o caso de manipulação em fotos da guerra entre Líbano e Israel, feita pelo freelancer Hajj, em 2006, a Reuters divulgou em seu blog Regras e parâmetros de manipulação de imagem. Segundo David Schlesinger, editor chefe da agência entre 2007 e 2011, não é permitido adicionar ou deletar elementos que alterem o sentido da fotografia, além do uso exagerado de efeitos de iluminação e efeitos borrados ou manipulação de cor. Percebe-se que tudo depende do bom senso de quem trata as fotos, que deve identificar o que é ou não ruído, em que ponto há ou não excesso de iluminação ou contraste. As fotos que levaram ao desligamento de Hajj com a agência foram:





O fotógrafo foi acusado por alterar as fotos para defender o Líbano fazendo parecer que havia mais mísseis, aumentando o contraste da foto para escurecer a cortina de fumaça e duplicando a parte em que essa é mais densa.

Um outro lado da questão é que, ao passo que artigos de opinião e textos mais analíticos ganham espaço nos grandes jornais, já que o factual, a matéria quente acaba sendo publicada na internet, a fotografia jornalística também caminha para um caráter mais autoral, onde, ao lado da informação, está a marca e o posicionamento ideológico do repórter, esse caráter autoral está presente no tratamento dado a foto a partir dos recursos tecnológicos como photoshop, mas também do próprio olhar do fotógrafo sobre o fato já que o flagrante não pertence mais necessariamente ao fotojornalista, os cidadãos comuns hoje andam com seus celulares e podem faze-lo. Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o doutorando Celso Bodstein fala da sua tese “A Ficcionalidade do Fotojornalismo”, que defende que o tratamento das imagens deve dar um aspecto cada vez mais artístico à fotografia, ele fala em fotojornalismo opinativo em que o caráter estético da foto passa a ser cada dia mais valorizado. Como exemplo, o autor cita uma foto publicada pela fotojornalista Marlene Bergamo, na Folha de São Paulo, em 2001, na qual “depois de registrar o corpo de uma vítima de assassinato na periferia de São Paulo, ela lançou mão de um software para dar um tom avermelhado ao céu mostrado na fotografia, posicionado em segundo plano em relação ao cadáver”, dando assim mais dramaticidade à foto. A empresa não considera a manipulação anti-ética e sim artística.

O assunto ainda é polemico e a única certeza é que, por mais regras e diretrizes existentes, o profissionalismo e bom senso do fotojornalista e do meio para qual trabalha ainda são o maior parâmetro, tanto para o momento da fotografia em si quanto para a manipulação da imagem na pós-produção.

Fontes:

http://ecodanoticia.net/phpBB3/viewtopic.php?f=11&t=5043

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/realidade-e-criacao-na-era-do-photoshop

http://holofote.net/holofote-videos/materias-e-estudos/escandalo-no-fotojornalismo-imagens-manipuladas-e-encenadas/

http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR46152cf32bf35_1.pdf

http://www.elmundo.es/elmundo/2010/01/20/comunicacion/1263988834.html

http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/bbc/2009/10/23/ult2242u1993.jhtm