terça-feira, 4 de outubro de 2011

O futuro é analógico!




Em meio à ebulição de novidades tecnológicas no campo da fotografia, com a sofisticação constante de programas de manipulação de imagem e das próprias câmeras digitais, cresce um movimento que propõe andar na contra-mão de tais inovações. A febre da fotografia retrô, feita com máquina analógica e filme, é capitaneada pela Lomography, marca de câmera que tem virado objeto de estimação de fotógrafos amadores e profissionais. As fotos, que podem trazer contrastes exagerados, cores saturadas ou até mesmo uma tela preta, se as condições luminosas na hora do clique não forem favoráveis, resgatam um elemento que há muito tempo estava ausente do cotidiano do fotógrafo: a surpresa.

A proposta de revisitar o passado agradou tanto que a Lomography vendeu 500 mil produtos apenas em 2010. A empresa, criada por Mathias Fielg e Wolfgang Stranzinger, surgiu nos anos 90 após a dupla de austríacos ser seduzida por uma Lomo LC-A, câmera de plástico fabricada por uma empresa russa. Após alguns anos como representantes da marca na Áustria, os dois conseguiram o direito de fabricá-las e, desde então, são inúmeros os lançamentos da Lomography, que envolvem os mais curiosos tipos de câmeras, lentes e flashes.

Agnes Cajaíba, estudante de Comunicação e fotógrafa profissional, teve a sua atenção captada por algumas fotos com efeitos e distorções interessantes que ela encontrava. “Eu fui atrás para saber o que era isso, e descobri que eram câmeras superbaratas, com o filme muito bom, e que as distorções eram feitas porque as lentes e as máquinas eram de plástico. Como custava menos de cem reais, resolvi testar”. Agnes conta que, até aprender a tirar boas fotos, desembolsou um bom dinheiro com filmes e revelações. Isso porque fotografar com a Lomo não é tão simples, exige um grande cuidado com a luz ambiente, além de, obviamente, muita prática. Depois de algumas experimentações, a fotógrafa encontrou motivos para incorporar a novidade aos seus instrumentos de trabalho. “Descobri que existiam várias coisas que eu podia fazer, efeitos que poderiam ser acrescentados no Photoshop, mas que eram feitos na própria câmera, por exemplo. Tive espaço para testar muitas coisas”, afirma.

A Lomografia proporciona um espaço em que o fotógrafo cria se divertindo e inaugura uma nova forma de encarar a experiência fotográfica. Uma prova disso são os dez mandamentos do usuário das Lomo, ou as "10 regras de ouro". Dicas como a de levar a câmera a todos os lugares e a de fotografar sem pensar são algumas das maneiras de se aproximar desse movimento que se define, no próprio site, como uma "comunidade global de apaixonados por fotografia analógica criativa e experimental". Mas é claro que, para entrar na onda, é preciso, antes, adquirir a câmera. Os preços costumam ser acessíveis, variam normalmente entre R$ 80 e R$ 300, e os produtos podem ser comprados pela internet ou nas lojas espalhadas pelo mundo. No Brasil, a única loja da Lomo fica em Ipanema, no Rio de Janeiro, mas está temporariamente fechada.

Ao mesmo tempo em que crescem os adeptos às câmeras Lomo e à fotografia analógica, multiplicam-se os softwares e aplicativos de celular que tentam reproduzir a estética retrô. O Instagram, aplicativo para Iphone criado pelo brasileiro Mike Krieger, é um dos recursos mais utilizados atualmente. Entre os diversos filtros, existem aqueles que simulam efeitos como vazamento de luz e distorção de cor, similares aos obtidos pelas Lomo. Tais programas, no entanto, não dão conta daquilo que é considerado o mais interessante pelos adeptos da Lomotografia: o caráter inusitado. O imediatismo dos visores LCD é substituído pela ansiosa espera pelo envelope do laboratório. “Você nunca sabe como vai ficar, porque qualquer coisa pode sair dali. Eu fico esperando surpresas”, conta Agnes.








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